Plenária da Negritude: Um marco na luta pela igualdade étnico-racial.
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| Foto: Conquista Repórter "Dia da Consciência Negra" - Novembro de 2021. |
* Por
Redação Democracia Radical
Nos últimos anos, a Coordenação Municipal da Promoção da Igualdade Racial em Vitória da Conquista passou por um processo alarmante de sucateamento e desmonte, resultado da política fascista do governo Bolsonaro, seguido ao pé da letra em Vitória da Conquista pelos governos municipais bolsonaristas de Herzem-Sheila. Este órgão, essencial para a promoção da equidade e para o combate ao racismo estrutural na cidade, viu sua estrutura ser drasticamente reduzida e suas operações comprometidas. A degradação desta coordenação não é apenas um reflexo da má gestão, mas também de uma perseguição política que afeta diretamente a luta pela igualdade racial.
Inicialmente,
a Coordenação funcionava em um prédio bem localizado, equipado para atender as
demandas da comunidade negra de Vitória da Conquista. No entanto, com o
desmonte, a estrutura foi transferida para uma pequena sala na Secretaria
Municipal de Desenvolvimento Social (SMDES). Essa mudança não só simbolizou a
diminuição da importância dada à causa, mas também impôs barreiras físicas e
logísticas ao trabalho da Coordenação.
Além
da mudança de localização, a Coordenação enfrentou severas restrições
orçamentárias. Sem dotação orçamentária adequada, ficou impossível implementar
políticas públicas eficazes ou realizar ações educativas e de conscientização.
Este cenário de precarização foi agravado pela constante troca de pessoas na
função de coordenação, o que gerou uma instabilidade institucional que só
serviu para enfraquecer ainda mais a luta pela igualdade racial na cidade.
A
perseguição política também se fez presente. Funcionários da Coordenação,
conhecidos por suas posições antifascistas, foram alvos de retaliações e
intimidações. Esse clima de medo e repressão contribuiu para o desmantelamento
de uma equipe que sempre esteve na linha de frente da luta contra o racismo. O
enfraquecimento da Coordenação foi uma perda significativa para a comunidade
negra de Vitória da Conquista, que depende desse órgão para a promoção e
proteção de seus direitos.
Herberson
Sonkha, uma das vozes ativas nessa luta, expressou sua indignação diante deste
cenário. "A Coordenação da Promoção da Igualdade Racial sempre foi uma
referência para nós, moradores da periferia de Vitória da Conquista. Vê-la
reduzida a quase nada é um golpe duro na nossa batalha diária contra o
racismo", afirmou. Sonkha também destacou que a transferência para uma
pequena sala na SMDES foi um retrocesso simbólico e prático, pois dificultou o
acesso e o atendimento à comunidade.
Elizabeth
Ferreira (Beta) uma das fundadoras do Movimento Negro na cidade nos anos 1980 e
dos Agentes de Pastorais Negros do Brasil (APN’s), militante de longa data e
também ex-coordenadora da CMPIR, compartilhou de uma opinião semelhante.
"O corte de verbas destinas ao COMPIR reduziu drasticamente os recursos e a perseguição política não só desestruturam a
Coordenação, mas também desmotivam aqueles que estão na linha de frente da luta
por igualdade. Precisamos de um espaço digno, ampliar o financiamento e de suporte contínuo para
enfrentar o racismo e promover a justiça social", disse.
A
realidade é que o desmonte da Coordenação Municipal da Promoção da Igualdade
Racial em Vitória da Conquista é um reflexo de um contexto mais amplo de
desvalorização das políticas públicas voltadas para a igualdade racial. Em todo
o país, há uma tendência preocupante de retrocesso em relação aos direitos
conquistados pela população negra. O caso de Vitória da Conquista é apenas um
exemplo de como a falta de compromisso político pode comprometer décadas de
lutas e avanços.
A
transferência da Coordenação para uma sala na SMDES não apenas dificultou o
trabalho do órgão, mas também simbolizou uma desvalorização da causa. Em um
espaço menor e menos visível, a Coordenação perdeu parte de sua capacidade de
articulação e de influência política. Isso teve um impacto direto na
implementação de políticas públicas e na realização de atividades educativas e
de conscientização.
A
falta de dotação orçamentária adequada foi outro golpe significativo. Sem
recursos, tornou-se impossível promover ações efetivas e sustentáveis. A
Coordenação, que antes realizava eventos, campanhas e programas de apoio à
população negra, viu suas atividades serem drasticamente reduzidas. A ausência
de orçamento também afetou a formação e capacitação dos funcionários,
comprometendo ainda mais a qualidade dos serviços prestados.
As
constantes trocas de pessoas na função de coordenação também contribuíram para
a instabilidade do órgão. Sem uma liderança contínua e comprometida, a
Coordenação perdeu sua capacidade de planejamento a longo prazo e de construção
de parcerias sólidas. Cada nova gestão trouxe consigo uma nova abordagem,
muitas vezes desarticulada da anterior, o que resultou em uma falta de coesão e
continuidade nas ações.
Além
disso, a perseguição política enfrentada pelos funcionários antifascistas criou
um ambiente de medo e repressão. Muitos desses funcionários, dedicados à luta
pela igualdade racial, foram alvo de intimidações e retaliações. Esse clima de
insegurança não só afetou a moral da equipe, mas também dificultou a execução
de atividades que exigem coragem e enfrentamento.
A
comunidade negra de Vitória da Conquista, que sempre contou com a Coordenação
para a promoção de seus direitos, viu-se desamparada. Sem um órgão forte e
estruturado, as demandas da população negra ficaram relegadas a segundo plano.
A falta de políticas públicas eficazes e de ações concretas contribuiu para o
agravamento das desigualdades raciais na cidade.
O
desmonte da Coordenação também teve um impacto negativo na percepção pública
sobre a importância da igualdade racial. Ao enfraquecer um órgão que
simbolizava a luta contra o racismo, o poder público enviou uma mensagem de
descompromisso com a causa. Isso, por sua vez, desmotivou muitos ativistas e
líderes comunitários que se sentiram abandonados e desamparados.
A luta
pela igualdade racial é uma batalha contínua e que exige esforços constantes e
comprometimento por parte de todos os setores da sociedade. O desmonte da
Coordenação em Vitória da Conquista mostra como a falta de apoio e de recursos
pode comprometer essa luta. No entanto, também evidencia a necessidade de
mobilização e resistência da comunidade negra e dos seus aliados.
Apesar
do cenário desolador, a luta não pode parar. Herberson Sonkha e Milena são
exemplos de resiliência e de determinação. Eles continuam a lutar por um espaço
digno e por políticas públicas que promovam a igualdade racial. Suas vozes e
ações são essenciais para manter viva a chama da resistência e para pressionar
o poder público a reassumir seu compromisso com a causa.
A
conclusão que se pode tirar deste desmonte é que a luta pela igualdade racial
não pode depender apenas do poder público. A mobilização da sociedade civil é
fundamental para pressionar por mudanças e para garantir que os direitos
conquistados não sejam revertidos. A Coordenação da Promoção da Igualdade
Racial pode ter sido enfraquecida, mas a luta da comunidade negra de Vitória da
Conquista continua mais forte do que nunca.
Em
última análise, é crucial que a comunidade se una e continue a exigir um espaço
digno e recursos adequados para a Coordenação. A luta pela igualdade racial é
uma causa justa e necessária, e não pode ser silenciada por mudanças
estruturais ou perseguições políticas. A resistência é a chave para a
transformação e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Em
suma, o sucateamento e o desmonte da Coordenação Municipal da Promoção da
Igualdade Racial em Vitória da Conquista são um reflexo das dificuldades
enfrentadas pela população negra na busca por justiça e equidade. No entanto, é
também um lembrete da importância da resistência e da mobilização comunitária.
A luta continua, e é através dela que se poderá alcançar uma verdadeira
igualdade racial.