Plenária da Negritude: Um marco na luta pela igualdade étnico-racial.

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" A luta pela visibilidade das questões enfrentadas pela população negra no atual governo municipal bolsonarista reflete a ausência de compromisso político de quem reduz essas questões étnico-raciais a discursos vazios e ações simbólicas ". Na noite de ontem (23), um evento de grande relevância ocorreu em Vitória da Conquista, reunindo vozes e experiências que ecoam a luta histórica da população negra no Brasil. A Plenária da Negritude não foi apenas um encontro; foi um espaço de reflexão crítica e reafirmação de compromissos diante de um passado que ainda reverbera nas estruturas sociais contemporâneas.

No distrito de Batuque a comunidade se irrita com o descaso do governo municipal

 


"A importância dessa atividade democrático-participativa é fundamental para reoxigenar os sonhos e devolver a prefeitura de Vitoria da Conquista às comunidades do campo e da cidade".

 

  

*Redação da Democracia Radical

 

Na tarde de domingo (17) o distrito de São João da Vitória, popularmente conhecido por Batuque, recebeu a caravana do Programa de Governo Participativo (PGP). A ideia é reabrir o diálogo com a comunidade de São João da Vitória (Batuque) com o “Fala Aí Conquista”. O pré-candidato a prefeito de Vitória da Conquista, o deputado federal Waldenor Pereira (PT) apresentou a comunidade o PGP, falou sobre os problemas da comunidade e destacou a importância da retomada do diálogo e a participação da comunidade para construção do programa de governo.

Várias outras candidaturas à Câmara Municipal compareceram a atividade, sobretudo a do pré-candidato a vereador Almerindo Neto (PT), membro e candidato do Movimento Coletivo Ética Socialista (MCOESO) corrente interna do Partido dos Trabalhadores (PT) de esquerda e do deputado estadual licenciado que assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR), o pedagogo Osni Cardoso (PT).

A importância dessa atividade democrático-participativa é fundamental para reoxigenar os sonhos e devolver a prefeitura de Vitoria da Conquista às comunidades do campo e da cidade. Essa necessidade se tornou quase um imperativo político moral da esquerda e se justifica pelo fechamento e hostilização do atual governo municipal dos canais de escuta e participação da população conquistense nos destinos da cidade.

Por um motivo muito óbvio, chamado de extrema-direita bolsonarista, a prefeita e seus estafetas se negam a acolher e discutir as demandas mais imprescindíveis da sociedade conquistense. A prefeita prefere fechar não apenas os olhos para a triste realidade do município, mas, também a prefeitura aos pobres e aumentar a precarização das políticas sociais do município.   

Para governar razoavelmente bem uma cidade brasileira de porte médio, como Vitória da Conquista, é necessário cumprir uma série de requisitos e ter uma estrutura organizacional adequada. Exige-se alguns elementos essenciais para governar essa cidade: primeiro ganhar a eleição; depois montar uma excelente equipe de governo; criar as condições para fazer o planejamento e gestão; criar canais de diálogo com a sociedade; instituir mecanismos democráticos e participativos de transparência; prestar contas e respeitar a legislação. 

Parece fácil para quem incorporou e desenvolveu esse hábito na política, mas, em Vitória da Conquista isso não acontece porque há duas gestões um grupo político emergente ganhou as eleições com o voto popular e deixou a parcela da população que ajudou a eleger do lado de fora da prefeitura como bem disse Zé Geraldo na música “Cidadão”. Ocupou-se o cargo de prefeito, principal responsável pelo governo municipal, voltando o olho-gordo para os interesses dos ricos empresários no bilionário orçamento e serviços públicos municipais.

Não basta cumprir apenas a primeira de uma série de exigências legais que é ganhar as eleições municipais e assumir legitimamente a cadeira de Chefe do Executivo municipal. Isso não quer dizer que o governo vai olhar e resolver os problemas da periferia e do campo ou que será um governo eficiente que dará respostas efetivas às questões sociais, econômicas, culturais e políticas gravíssimas da população de Vitória da Conquista.

Nessa quase década de desgoverno municipal as políticas públicas retrocederam, mas algumas poucas empresas privadas do grupo ligado ao governo cresceram suas riquezas assustadoramente. O social não foi pior porque a máquina municipal não pode ser totalmente desligada de suas funções sociais essenciais como se pretendia, por causa dos funcionários concursados.

A maquinaria pública do município funcionou no modo exaustivo e com redução máxima na margem de limite de investimento financeiro. Contudo, sobreviveu por causa da expertise incorporadas  nas duas últimas décadas em foram priorizadas as políticas sociais. O funcionalismo público de carreira que conhece a dinâmica institucional deu conta do recado.

Outra tarefa zumbílica é a montagem da equipe de governo, exige-se que o conjunto de secretários e secretárias tenha o mínimo de conhecimento técnico-científico de gestão pública e um staff com estofo intelectual para tocar a gestão com eficiência/eficácia e qualidade. Essa escolha diz muito sobre o perfil, o tempo de resposta, a competência e os resultados de uma gestão governamental.

Em Vitória da Conquista, o TRE deu posse ao novo governo em janeiro de 2017, imediatamente se percebeu a turbulência na transmissão do comando da prefeitura ao novo governo e uma claque extremista se rasgaram entre eles feito urubus na carniça para ocupar os cargos no governo. Em princípio, justificou-se as contratações alegando que seriam para auxiliar na gestão da cidade em áreas como a saúde, educação, infraestrutura, agricultura, desenvolvimento social, meio ambiente e cultura e lazer.

Passados esses quase oito anos (dois mandatos) e a equipe de governo não correspondeu às expectativas da população que se encontra no mais absoluto abandono e dificuldades em virtude da intensa precarização das políticas sociais voltadas para a população dos bairros periféricos e a zona rural. O que se concluiu é que as justificativas apresentadas à população lá em 2016 sempre foram enganosas e essas contratações caríssimas não se sustentam mais porque essas pessoas não entregaram aquilo que prometeram durantes as eleições municipais e durante o tempo em que exerceram esses cargos no serviço público municipal.

O PGP vem no sentido de retomar o planejamento e gestão como ferramentas indispensáveis ao desenvolvimento de planos, ações e políticas públicas voltadas para atender às necessidades da população. O PT sempre pautou o planejamento e gestão, consciente de que faz parte da atribuição do planejamento e gestão o gerenciamento de recursos financeiros visando atingir o máximo de eficiência na aplicação de investimentos para reduzir as desigualdades (social, econômica, cultural e política) e promover o desenvolvimento socioeconômico equânime da cidade. 

No Batuque a comunidade utilizou o espaço para denunciar esse descaso do governo municipal.  Até mesmo os olhares mais desatentos percebem a ausência de competência técnica e estofo intelectual da atual gestão que assumiu em 2017 com a responsabilidade de solucionar todas as mazelas apresentadas por eles mesmos naquela eleição municipal. Hoje, oito anos depois destruiu-se o que tinha conquistado e a população passou a compreender como faz falta um excelente planejamento e uma eficaz/eficiente gestão municipal da cidade.

Essa lacuna criada pela ausência dessas políticas levou o município ao mais perverso ambiente de extremada violência de gênero, fome, desemprego, racismos, extermínio de membros da população homoafetiva. Ressaltando que há mais de uma década as lutas incessantes dos movimentos LGBTQIAP+ conseguiram direitos pétreos de proteção e promoção da população homoafetiva no Brasil.

O governo empossado a partir de janeiro de 2017, eleito pelo antipetismo insuflado pela extrema-direita com golpe de 2016 e a massificação de fake-news nos principais meios de comunicação, fechou todos os canais de diálogo democrático e de participação da sociedade conquistense.

A falta desses canais de comunicação com os movimentos sociais, sindicais e entidades organizadas de setores médios da sociedade civil organizada, levou a mais absoluta falência de vitalidade do governo. Não ouvir as demandas da população dificilmente saberá apresentar soluções viáveis para os inúmeros problemas da periferia e da comunidade rural. O governo sacrifica a população por causa da cegueira social, sem capacidade de autoavaliação porque não escutar e propenso a decidir em favor dos ricos que menos precisam da presença e das ações do poder público municipal.

Um município com um orçamento de R$ 1,5 bilhão não justifica tanta gente vivendo a insegurança alimentar, socioeconomicamente confinados abaixo da linha de pobreza e as múltiplas violências de raça e gênero. Manter estrategicamente essas políticas sociais inoperantes serve apenas aos desvios de recursos para outras finalidades, revelando a mais absoluta falta de transparência e prestação de contas do atual governo municipal.

Esse governo municipal atual negligencia deliberadamente as questões de interesse público, tão fundamental ao desenvolvimento equânime da cidade baseada na transparência das ações governamentais do município. A quem interessa evitar a transparência na execução das contas públicas senão um governo moralmente questionável por permitir ser sujeito a todo tipo de corrupção e de fraudes. Não é privado os interesses públicos, sobretudo as atividades realizadas e dos recursos públicos utilizados. 

Por fim, esse governo não demonstra na prática nenhum respeito a legislação, quando persegue servidor público municipal, intimida docentes e ameaça o movimento sindical do magistério público municipal (SIMMP). Descumpre a Lei do Piso quando não paga automaticamente o reajuste do Piso Nacional e depois vai a imprensa mentir desavergonhadamente dizendo que vem pagando o novo Piso.

Cumpre as leis quando lhe convém, burla as leis e regulamentos vigentes na educação, na saúde, desenvolvimento social entre outras secretarias municipais. Desrespeitando flagrantemente a Constituição Federal, as leis estaduais e municipais. Como pode desviar-se dos aspectos fundamentais da gestão municipal e depois sair por aí propagandeando a existência de um “governo para pessoas” como se fosse para todas as pessoas. Não existe em Vitória da Conquista nenhuma gestão municipal eficiente e voltada para o bem-estar da população conquistense.