Plenária da Negritude: Um marco na luta pela igualdade étnico-racial.
![]() |
Arthur Lira, Eduardo Leite, Lula, Rodrigo Pacheco e ministros participam de coletiva no RS neste domingo 5. Foto: Reprodução - fonte: Carta Capital |
*por Redação do Democracia Radical
A recente tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul, com 78 mortos e 108 desaparecidos devido às fortes chuvas, representa um doloroso lembrete dos perigos do negacionismo climático e da negligência ambiental. Essa catástrofe natural é, em grande medida, consequência direta das políticas implementadas durante o governo de Jair Bolsonaro, que sistematicamente enfraqueceram as instituições e ações de preservação do meio ambiente no Brasil.
Desde 2019, Bolsonaro e sua equipe empreenderam um verdadeiro desmonte da legislação e das políticas ambientais do país. Medidas como a redução de áreas protegidas, a fragilização do licenciamento ambiental e os ataques constantes aos órgãos de fiscalização, como o Ibama e o ICMBio, criaram um cenário propício para o avanço do desmatamento e da degradação ambiental.
Essa postura negacionista em relação às mudanças climáticas teve consequências devastadoras. O desmatamento da Amazônia atingiu níveis recordes, com a perda de quase 30 mil km² de floresta. Esse processo de devastação não apenas liberou enormes quantidades de carbono para a atmosfera, como também enfraqueceu a capacidade de regulação climática da maior floresta tropical do mundo.
Consequentemente, os modelos climáticos que há décadas previam o aumento de eventos extremos de chuva no Sul do Brasil se concretizaram de forma dramática no Rio Grande do Sul. No entanto, em vez de se preparar para esse cenário, o governo Bolsonaro optou por enfraquecer ainda mais as políticas voltadas à prevenção e mitigação de desastres ambientais.
O desmonte da Defesa Civil, a falta de investimentos em zoneamento de risco e sistemas de alerta, bem como o enfraquecimento do diálogo com estados e municípios, são consequências diretas das escolhas feitas durante o governo Bolsonaro. Agora, a população do Rio Grande do Sul paga um preço muito alto por essas decisões.
Além da negligência federal do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, o governo estadual de Eduardo Leite também carrega sua parcela de responsabilidade. Falhas no planejamento e na implementação de medidas preventivas, como o zoneamento de áreas de risco e a relocação de moradores de zonas vulneráveis, agravaram os impactos da tragédia.
Essa combinação de fatores - o negacionismo climático no nível federal, a fragilização das políticas ambientais e a falta de preparação nos âmbitos estadual e municipal - criou as condições ideais para que a catástrofe se concretizasse. E seu legado vai muito além das vidas perdidas e dos prejuízos materiais.
O enfraquecimento da posição do Brasil no cenário internacional, com a perda de credibilidade e poder de barganha do país nas negociações climáticas globais, também é uma consequência desse processo. Isso prejudica não apenas os esforços de mitigação, mas também a capacidade de acesso a recursos e tecnologias essenciais para a adaptação às mudanças climáticas.
Cabe agora ao governo atual de Luiz Inácio Lula da Silva, que interveio com todas as estruturas oferecidas pelo Estado de Bem-Estar Social, além de prestar o devido apoio emergencial às vítimas, assumir o compromisso de reverter esse danoso legado. Isso envolve não apenas o fortalecimento das instituições e políticas ambientais, mas também a priorização de ações efetivas de mitigação e adaptação, em consonância com os acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário.
Somente assim poderemos evitar que tragédias como a vivenciada no Rio Grande do Sul se repitam no futuro. O momento exige responsabilidade, compromisso e, acima de tudo, a compreensão de que a agenda ambiental não é um entrave, mas sim uma condição essencial para a construção de um país ambientalmente correto, sustentável, mais resiliente e justo.