Plenária da Negritude: Um marco na luta pela igualdade étnico-racial.
*por Professor João Paulo
Ao longo de sua história, Vitória da Conquista foi dirigida por oligarquias. Inicialmente, pelas famílias tradicionais, provenientes dos colonizadores do Sertão da Ressaca. Posteriormente, pelo Pedralismo, que, apesar de ser mais progressista do que os oligarcas tradicionais, transformou-se em uma dinastia, com a figura central do senhor José Pedral, que por 40 anos elegeu seus apadrinhados.
Em seguida, veio o período de 20 anos sob o comando do Partido dos Trabalhadores (PT), considerado pela população inúmeras vezes como o melhor da história municipal, com avanços democráticos e sociais inquestionáveis. No entanto, agentes externos contribuíram para que o PT perdesse a direção do município.
Em decorrência da conjuntura nacional que culminou no golpe jurídico, parlamentar e midiático de 2016, a oligarquia tradicional, conservadora e de extrema-direita, retornou à direção da prefeitura municipal. O retorno dessa oligarquia tem sido traumático para os munícipes, principalmente para aqueles que mais necessitam da presença do Estado em suas vidas.
O primeiro governo oligárquico desta nova fase caracterizou-se por ser fechado, pensado apenas para agradar um pequeno grupo de pessoas, que vislumbraram nele a oportunidade de se locupletar com o erário público. Por ironia do destino, o prefeito, fruto dessa oligarquia, faleceu, em parte devido ao negacionismo da ciência durante a pandemia de Covid-19, negligenciando o combate à doença e, consequentemente, sua própria segurança.
Assumiu, então, o segundo governo, agora sob a direção da vice-prefeita, filha também de uma família rica e poderosa da cidade, os Lemos Andrades, a mais nova oligarquia da cidade. Cabe lembrar que tanto o falecido prefeito quanto a atual gestora representam oligarquias e estão politicamente alinhados com os governos fascistas que assumiram o poder após o golpe de 2016, sendo, portanto, tentáculos do neofascismo brasileiro nos municípios.
Desde 2016 até o presente momento, esses gestores têm se destacado por governos antipovo, aplicando incorretamente os recursos federais destinados à saúde, educação, cultura e assistência social, mantendo os serviços públicos precariamente, sem nenhum projeto de gestão consistente. No que diz respeito aos serviços públicos, limitam-se a realizar obras pontuais, com finalidade meramente eleitoral, como o asfaltamento de avenidas principais, pequenas reformas em praças e espaços públicos, seguindo a velha política dos "coroneis" para a manutenção do poder e tentativas de reeleição.
Enquanto isso, a saúde municipal agoniza, com postos de saúde funcionando de forma precária, sem garantir o atendimento básico à população. A cidade tem batido recordes de casos de dengue no estado, obrigando o governo estadual a intervir na tentativa de melhorar o atendimento. O hospital municipal, por sua vez, nega atendimento por falta de condições adequadas. Na área da educação, as escolas carecem de uma merenda decente para as crianças, e os professores são obrigados a paralisar suas atividades periodicamente, reivindicando melhores condições de trabalho, prejudicando o processo de ensino-aprendizagem.
Paralelamente, os funcionários administrativos da prefeitura também têm paralisado seus trabalhos, reivindicando respeito por parte da gestão, o que é incomum, pois o sindicato é mais patronal do que defensor dos trabalhadores. A cidade, em geral, encontra-se abandonada, com calçadas e ruas esburacadas, mato crescendo em todos os bairros, inclusive nos nobres, e o transporte público em situação calamitosa, com ônibus velhos quebrando constantemente e nenhum controle sobre o transporte clandestino.
Enquanto isso, a prefeita assina um decreto instituindo a "Semana Oficial da Miconquista", atendendo apenas aos interesses de um empresário que está organizando uma festa privada em vias públicas, demonstrando total descaso com as reais necessidades da cidade. Tudo isso sem mencionar o endividamento do município, com empréstimos inexplicáveis do FINISA, recursos chegando, dívidas se acumulando, e a população sem saber em que esses recursos são aplicados, já que não há nenhuma grande obra realizada por essas gestões, apenas pequenas reformas pontuais.
Em 2024, temos a oportunidade de mudar esse quadro terrível e horroroso que se abateu sobre nossa cidade. Mais uma vez, o Partido dos Trabalhadores (PT) irá concorrer às eleições, com a difícil missão de salvar o município do mandonismo das oligarquias regionais, inclusive de uma nova oligarquia que se consolidou no poder.
O PT é a única alternativa verdadeira aos desmandos das oligarquias, a única alternativa aos ricos deste município, que insistem em usurpar o poder para dar continuidade ao processo de exploração e dominância do poder público e do nosso povo. Estejamos atentos neste pleito de 2024, pois mais uma vez o povo terá a oportunidade de salvar Vitória da Conquista, votando novamente no PT.